Histórico da Polidioxanona

Fio de Polidioxanona é um monofilamento sintético absorvível preparado a partir do poliéster, poli (p-dioxanona). A fórmula empírica molecular do polímero é C4H6O3. Polidioxanona é um polímero não alergênico, não piogênico, provocando apenas uma ligeira reação tecidual durante a absorção. As suturas com PDO são indicadas em aproximações de tecidos moles, em cirurgias cardiovasculares, cirurgias oftálmicas (com exceção da córnea e da esclera).

Este monofilamento não está indicado para ser usado em tecido neural. É particularmente útil quando se espera a combinação de uma sutura absorvível com resistência prolongada (SLATER, 1998). Duas características importantes descrevem o desempenho in vivo de suturas absorvíveis: a resistência à tração e a taxa de absorção (perda de massa). Dados obtidos a partir de implantes em ratos mostraram que PDO é essencialmente absorvido entre 182 e 238 dias pós-implantação. Em suturas conjugadas com implante de próteses (válvulas cardíacas ou enxertos sintéticos) este fio não foi recomendado (BOURNE et al.,1988). Como desvantagens, devido ao tempo de absorção prolongado, foi observado que quando aplicado na mucosa vaginal, pode levar a irritação leve. Os efeitos adversos associados com o uso de suturas absorvíveis sintéticas incluem: deiscências, incapacidade de fornecer apoio adequado à ferida que sofre distensões e alongamentos ou em ferimentos de pacientes desnutridos ou que sofrem demora na cicatrização de feridas. Reação inflamatória aguda mínima foi observada na sutura da pele, quando são deixadas no lugar por mais de sete 16 dias. Há relatos de formação de cálculos urinários e biliares quando em contato prolongado com soluções salinas, tais como urina e bílis (ANDERSEN et al., 1989). RAY et al. (1981) descreveram um novo fio absorvível sintético monofilamentar: a polidioxanona (PDO), e referiram vantagens sobre os fios absorvíveis sintéticos existentes para utilização em tecidos que necessitassem que o material de sutura permanecesse por longo período.

O fio de polidioxanona (PDO) apresentou na avaliação histológica, menor reação de corpo estranho do que o fio de polipropileno (PLP), nas anastomoses arteriais de cães (FERREIRA et al., 2005). Esses autores ainda observaram que o PDO tem 20% mais resistência do que os fios absorvíveis trançados, sofrendo degradação mais lenta nos tecidos e preservando a resistência por muito mais tempo do que o necessário para a cicatrização do trato urinário (EDLICH et al., 1987). STEWART et al. (1990), estudando cicatrização em ratos e comparando os fios de catgut, poliglactina e PDO, observaram não haver diferença na incidência de litíase entre os grupos de animais ao fim de seis meses de experimento. No trabalho experimental de HOUDART et al. (1986), o fio de PDO produziu apenas ligeira reação tecidual no cólon. Em outro estudo, realizou-se 98 anastomoses colônicas em ratos e não foram relatadas complicações e reações celulares intensas quanto ao uso do material de sutura com polidioxanona (PDO). Verificou-se que o fio de polidioxanona manteve a sua integridade ao longo de todo o período de observação histológica, sendo que no 28º dia havia apenas uma ligeira reação celular observada em torno das suturas intestinas (Figura 5). (ANDERSEN et al.,1989).

Lâmina histológica de intestino. Rato submetido à anastomose, 28 dias pós-operatório. O material de sutura PDO foi circundado por alguns fibroblastos e polimorfonucleares, HE, 40X, (ANDERSEN et al.,1989). Discutindo-se as características e peculiaridades envolvendo a síntese da parede abdominal e suas particularidades quanto à cicatrização, tenta-se obter o material de sutura ideal para realizá-la, ou seja, que tenha uma força de tensão inicial adequada, que seja mantido até a completa cicatrização, levando a baixa reação tecidual e que depois desapareça. Com essas qualidades encontra-se a Polidioxanona, que mantém 70% da sua força de tensão aos 28 dias, ao passo que outros fios absorvíveis similares multifilamentares mantém apenas 5% de resistência neste período (TOGNINI & GOLDENBERG, 1998).

Aplicações

Conheça as aplicações possíveis para o fio de polidioxanona

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